Foto FFMS
Uma tarde típica de outono ensolarado, dia quente, perto dos 37 graus, termômetros registram alta temperatura, mas a emoção dentro e fora de campo também foi nas alturas. Dentro das quatro linhas, as quatro equipes finalistas do festival Sub 9 buscavam o título de campeão estadual na categoria. Um dos cenários perfeitos para um dos momentos mais emocionantes do futebol de base sul-mato-grossense: as finais do 1º Campeonato Estadual Sub-9 da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS). Em campo, pequenas promessas do esporte, meninos entre 8 e 9 anos, mostraram que talento e paixão não têm idade. E, na arquibancada, um público pra lá de especial: pais, avós, irmãos e amigos vibrando com torcida em coro para o time do coração. Seja São Gabriel, Ceart/Funcerb de Rio Brilhante, Náutico (Campo Grande) ou Comercial de Três Lagoas, a grande final foi uma celebração.
E foi exatamente o que se viu a cada partida. Além dos dribles, gols e comemorações, nas arquibancadas um espetáculo à parte: famílias inteiras vibrando, torcendo e se emocionando com cada lance.

Sonhos que já têm endereço
Davi, lateral do São Gabriel, resumiu em poucas palavras o espírito do torneio: “Eu espero que a gente ganhe, saia com a vitória… mas se a gente perder, está tudo bem. A gente vai ganhando assim.”
A maturidade do pequeno impressiona. O sonho, no entanto, é do tamanho do coração: “Meu sonho é jogar pelo Corinthians e ser um bom jogador.”
Ao lado dele, o colega Otávio, neto do técnico Vicente, já veio com uma missão clara: “Vim buscar a medalha de ouro e o troféu. O sonho de jogar bola sempre foi grande, e isso pode ser um sonho realizado pra mim.”
Do time Comercial de Três Lagoas, o sentimento é o mesmo. Guilherme, volante e atacante, viveu cada minuto como uma conquista: “Participar do campeonato é muito bom porque é uma experiência nova. A gente veio pra competir e se divertir. Se não der pra ganhar, vamos voltar de cabeça erguida, porque estamos entre os quatro melhores do Estado.”
O colega Pedro, também do Comercial, contou que a jornada até aqui foi cheia de superações. “A gente já passou por muito pra chegar aqui. É muito legal estar jogando em Campo Grande e ver minha família toda torcendo.”
Lateral também do Comercial, Brayn reforçou o sentimento em relação ao festival: “Tá sendo legal! Chegamos até aqui. É um momento especial pra mim, pra equipe e pra minha família.”
Do time da capital, Gabriel, do Náutico, também celebrou o momento: “É muito bom apresentar pra família e participar do campeonato. Tô muito feliz por estar na final.”

Torcidas com coração acelerado
Nas arquibancadas, o amor em forma de grito. Mães, pais, irmãos e avós vibravam a cada jogada, com olhos marejados e corações acelerados.
A mãe Ana Cláudia de Oliveira, de Três Lagoas, não escondia o orgulho: “A vida do Branco é respirar a bola. A gente queria agradecer ao Comercial pela oportunidade e à FFMS por abrir esse espaço pra eles. Hoje estamos aqui vivendo um sonho.”
De São Gabriel, Maria Eugênia vive uma história de futebol em família. Mãe de Otávio, filha do técnico Vicente e torcedora apaixonada, ela acompanha todos os treinos:
“Eu fico mais ansiosa que eles antes do jogo. Esse projeto começou há dois anos, sem muita estrutura, e hoje estamos na final do estadual. Pra gente já é uma vitória. O que a FFMS está fazendo é maravilhoso, porque deu oportunidade pra cidades pequenas que nem sempre conseguem vir pra capital.”
Outro retrato de amor e entrega vem de Jéssica Barbosa, mãe do Yuri, camisa 11 do Náutico: “Eu até fico sem voz no outro dia pra trabalhar. É treino todo dia, dedicação total. A gente faz questão de estar em todo jogo. É uma energia que não tem como explicar.”

Ela também destacou a importância do campeonato: “É um incentivo enorme. Eles são tão pequenos e já estão vivendo esse sonho. É lindo ver a valorização do esporte.”
De sorriso largo e coração disparado, Maynara Morali, mãe do Eduardo, camisa 5 do Ceart, resumiu o sentimento de muitas famílias: “Nem sei se tenho mais coração pra aguentar! A minha casa respira futebol. Meus dois meninos são jogadores, e o que a federação está fazendo é algo que vai ficar pra sempre na memória deles. É o primeiro campeonato importante dessa idade, e isso não tem preço.”
Futebol que ensina, conecta e transforma
Mais do que troféus e medalhas, o Estadual Sub-9 da FFMS deixa um legado de valores, convivência e aprendizado.
Os olhares das crianças e as lágrimas das famílias mostram que o futebol é muito mais do que competição, é educação, afeto e futuro. “Essas crianças estão vivendo a primeira experiência de representar suas cidades, seus clubes e suas famílias com orgulho. Isso é formação de base em sua essência”, destacou o presidente da FFMS, Estevão Petrallás, durante o evento. Com organização impecável, o torneio reuniu equipes de diferentes regiões do Estado, valorizando o interior e mostrando o compromisso da Federação com o desenvolvimento do futebol sul-mato-grossense desde os primeiros passos.
Um campeonato que fica na memória
Do chute inicial ao apito final, cada lance foi uma aula de emoção e aprendizado.
O Estadual Sub-9 se consagra como um marco na história do futebol de base do Mato Grosso do Sul, aproximando gerações e fortalecendo laços dentro e fora de campo.
Porque, no fim das contas, o maior gol é ver o brilho nos olhos de quem acredita nos sonhos, dentro e fora das quatro linhas.




